"Porque as empresas quebram"

05/02/2015 22:08

"Porque as empresas quebram"

 

Em uma manhã de segunda-feira, Sidney abriu as portas de sua oficina mecânica e começou a observar a chegada dos primeiros clientes. Radiante, pensava na vida boa que teria a partir daquele momento. Acreditava que não precisaria continuar trabalhando tanto, nem se preocupar mais com dinheiro, pois havia se tornado um empresário. Mal sabia ele, porém, que esses pensamentos o levariam a uma descida desenfreada rumo à quebra da empresa.

Por muitos anos ele trabalhou como mecânico na oficina de um amigo de seu pai e almejou ter seu próprio negócio. Ele era um funcionário competente e tinha aprendido muito sobre mecânica, mas não imaginava que além dessas qualidades, ao investir em um negócio próprio precisaria ter conhecimentos básicos sobre gestão financeira para garantir o funcionamento adequado da sua empresa.

Quando abriu sua oficina mecânica, não fez um plano de negócio, pois achava que enquanto estivesse entrando dinheiro, jamais teria problemas financeiros e tudo contribuiria para que as coisas dessem certo! Não queria perder tempo fazendo contas que a seu ver não levariam a nada. Além disso, se precisasse, poderia subtrair o dinheiro que entrava pelo que saía do caixa e saberia quanto foi o seu lucro.

Sidney também acreditava que todo o dinheiro da empresa era seu, então fez do cartão de crédito da oficina, o cartão da sua família. Afinal, ele sempre ouviu dizer que um empresário que se preze pode comprar tudo o que deseja e deve proporcionar conforto a sua família. Estava certo de que a empresa tinha o suficiente para todos os gastos, da empresa e da família, sem ter perigo de faltar para pagar as contas!

Com o passar do tempo, o volume de trabalho foi aumentando, a empresa crescendo e muitas vezes era preciso trabalhar depois do expediente, mas Sidney transferia a responsabilidade para seus funcionários e se ausentava. Ele era um empresário e achava que podia trabalhar menos que os demais! Mesmo depois de começar a abrir a oficina aos domingos, para atender clientes que não poderiam levar seus carros durante a semana, continuou se ausentando, deixando a resolução de eventuais problemas a cargo de seus funcionários. Também não “perdia tempo” resolvendo questões administrativas depois das 18h. Ou deixava para o dia seguinte, ou entregava na mão do gerente da oficina.

Assim, ele começou a ficar cada vez mais distante da sua própria empresa. O pouco que Sidney controlava no início, passou a ser responsabilidade do gerente, que para isso recebia “agrados” e tinha liberdade de utilizar as contas da empresa para as suas “emergências” particulares.

Um dia aconteceu de faltar dinheiro para pagar uma conta. Então, sem pestanejar, o gerente utilizou o limite do cheque especial. Logo depois entrou dinheiro em caixa e a dívida foi quitada, junto com uma pequena taxa de juros. Mas a situação se repetiu... uma, duas, três vezes... Com o tempo as entradas de dinheiro já não cobriam as saídas e a empresa teve que recorrer a um empréstimo, com juros salgados. Sidney foi consultado, mas achou que isso era um problema comum das empresas. Assim, uma dívida levou a outra, que levou a mais outra... e quando o empresário teve seu nome negativado no Serasa percebeu a gravidade do problema. A empresa já não conseguia mais se sustentar, pois a oficina mecânica não gerava lucro suficiente para pagar todas as dívidas. Infelizmente, é neste cenário que muitos empresários constroem e condenam seus sonhos ao fracasso. 

Sidney resolveu participar de um curso de Fluxo de Caixa em busca de ajuda para sair do círculo vicioso da fabricação de dinheiro. Após o curso, a sua lição de casa foi procurar entender a origem do problema financeiro, conhecer o seu endividamento com os bancos, fornecedores e levantar com o contador  os impostos atrasados, separar as contas da pessoa física e da jurídica, montar um fluxo de caixa, fazer um planejamento financeiro e implantar controles. Esse foi o princípio de um árduo trabalho para a recuperação da saúde financeira de sua empresa. 

Hoje seu negócio está controlado e rende bons frutos, entretanto, Sidney precisou aprender a duras penas o verdadeiro conceito de ser empresário. Neste momento entendeu que não era conserto de carro que ele vendia, mas segurança, o que para o cliente tinha um valor muito grande. E o mais importante, que não poderia deixar de lado era entender e controlar as finanças da empresa.

Muitos profissionais competentes em suas atividades começam errado e seguem felizes, acreditando que Deus é brasileiro. Iniciam o negócio sem elaborar um Planejamento Orçamentário que é um ato de previsão de venda, custo e despesa para estabelecer o lucro desejado e sem utilizar um plano de contas gerencial para controlar e registrar as entradas e saídas de dinheiro através do Fluxo de Caixa (previsto x realizado). Além disso, não fazem o Demonstrativo de Resultado, que indica se a operação no final do mês teve lucro ou prejuízo, não sabem que o Balanço Patrimonial mostra a posição patrimonial e financeira da empresa em um determinado período, nem imaginam como calcular preço. Também deixam de procurar entender qual é o melhor sistema tributário para pagar menos imposto, não estabelecem uma política de compras, se preocupando somente com o valor da venda, quando deveriam avaliar a margem bruta (preço – custo), e sequer avaliam os prazos médios de pagamentos e recebimentos para calcular a necessidade de capital de giro. Por fim, não compreendem qual é a real necessidade dos clientes, não treinam a sua equipe, nem utilizam um sistema de gerenciamento confiável.

Geralmente esses empreendedores descobrem tudo isso de uma maneira bastante dolorosa e só então percebem que para sustentar uma empresa é preciso muito mais do que ter boas ideias, acreditar em si próprio, amar o que faz, ter disciplina, seriedade e dedicação. É preciso entender a origem dos problemas para depois planejar, fazer, medir e avaliar a fim de buscar transformar as adversidades em oportunidade de crescimento. Cuidado, pois mais vale um pessimista informado do que um otimista desinformado.
 


Estou cansado de ver histórias como a do Sidney, de gente que teve de abrir mão de seus sonhos, da segurança de sua família e de sua tranqüilidade, por falta de conhecimento. Pensando nisso, preparei um breve vídeo, de menos de cinco minutos, mostrando aquele que talvez seja o erro mais comum dos empresários ao lidar com seu Fluxo de Caixa. Veja se você não está em sua empresa cometendo o mesmo erro:

 

Francisco Barbosa Neto
Projeto DSD Consultores
http://projetodsd.com.br/
 

 


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